a poesia criou meu mundo

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Nome: Patrícia Cosme
Local: São Paulo, Brazil

sexta-feira, 17 de julho de 2009



País de Gales depois da primavera

Vi um mar suspirando à tardinha
era um mar suspirando
à tardinha um mar

nada chorava e
todo violão adormecia só de cansaço

vi um mar à tardinha
suspirava como se suspirasse
à tardinha inarejando

se remexia o ar recém-ventado
re-inventado pelos suspiros do mar

vi à tardinha um mistério sem nenhum enigma
era um mar se espreguiçando por cima da areia


Rhoose 30.08.69

Ana Cristina Cesar

quinta-feira, 16 de julho de 2009





"Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio."

Clarice Lispector

terça-feira, 9 de junho de 2009

3 gerações em consonância

"Ao telefone a poesia
Ouço as palavras dizerem que estamos pensando
Na mesma coisa – Não!

Os três barcos, pontes, táxis e choros
Somem diante da voz mole,
Bonita e comovente como ondas.
Só que sonoras."

A poesia acima é o resultado de 3 mulheres, de 3 gerações, em consonância.
A voz no telefone era minha, a poesia que eu lia era da Ana C., o resultado é dela que me pediu anonimato.

Meu coração fica feliz! E cheio de amor por nós.

Amo-nos!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Las Lobas


Foto: Alessandra Fratus


"Já percebi que estar junto de quem gosto me basta,
Ficar na companhia dos outros num fim de tarde me basta,
Passar no meio deles... tocar qualquer um... pousar de leve meu braço ao redor do
pescoço dele ou dela por um momento... o que é isso?
Não peço delícia melhor... mergulho nisso como num mar.

Tem alguma coisa em ficar perto de homens e mulheres e no olhar e no contato e nos
seus cheiros que satisfazem a alma,
Todas as coisas satisfazem a alma, mas essas sim satisfazem a alma."

Walt Whitman


Presentes de Maria: foto e companhia. Presentes de Mariáh: texto e companhia minha e de minha companhia!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Para criar passarinho

(Bartolomeu Campos de Queirós)

Para bem criar passarinho é bom ter asas na alma, imensa inveja dos vôos e viver leve com as penas. Isso se consegue descobrindo a alegria de possuir um céu aberto como casa e ter como caminho a distância do nascente ao crepúsculo sempre.
Para bem criar passarinho é necessário ter o corpo capaz de escutar o silêncio das pedras, o som do vento nas folhas, o ruído de soluços preso em garganta. Isso se alcança afinando bem os sentidos, para perceber sopros de flauta, cordas de harpa e murmúrios das perguntas e lembranças. (...)



PS: Até o Queirós!!!!

A Pedra

(Manoel de Barros)



Pedra sendo
Eu tenho gosto de jazer no chão.
Só privo com lagarto e borboletas.
Certas conchas se abrigam em mim.
De meus interstícios crescem musgos.
Passarinhos me usam para afiar seus bicos.
Às vezes uma garça me ocupa de dia.
Fico louvoso.
Há outros privilégios de ser pedra:
a - Eu irrito o silêncio dos insetos.
b - Sou batido de luar nas solitudes.
c - Tomo banho de orvalho de manhã.
d - E o sol me cumprimenta por primeiro

terça-feira, 17 de março de 2009

Canta, Passarinho, canta o que te encanta!



"passaros q nasceram para migrar o ar e c perderem de céu...eu me perco passarinha.

me perdoo e me acho neste estado de tartaruga q c enruga e c guarda em sua casa casca.

tenho ares de tartaruga...mas encontro o mar e voo aquático, me distraio nos meu danos e erro...tento e conserto, concerto com os sons do dinovo...divino.

continuo!"

"sim, sim, sim!

tbém temo o dificil descontruir-me... mas no caminho te vejo pedra que me faz subir, não atrapalha, só acorda, desconserta, deseduca e desprende (liberta?)

sim, sim, sim!

percebo que vale a pena."

sexta-feira, 13 de março de 2009

Sôdade




"uma saudade infestada
toda vida sempre tive
que não sei como se vive
sem ter saudade de nada
até mesmo um camarada
quando faz uma partida
nos deixa por despedida
uma saudade incravada
não ter saudade de nada
é não ter nada na vida
para falar a verdade
deste meu viver sentido
a minha vida tem sido
a morada da saudade
por que sinto em quantidade
de uma pessoa querida
que foi desaparecida
mas a saudade é dobrada
não ter saudade de nada
é não ter nada na vida."

Poesia enviada (hein, viada?) por Carol Severiano
Foto Rubens Cavalcanti